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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Foi um milagre”, diz mãe que se fingiu de morta para salvar filhos durante ataque de extremistas muçulmanos

“Foi um milagre”, diz mãe que se fingiu de morta para salvar filhos durante ataque de extremistas muçulmanos

O ataque de um grupo extremista muçulmano a um shopping no Quênia semanas atrás chamou a atenção do mundo para a intolerância religiosa e a violência contra os reféns, que eram assassinados caso não soubessem o nome da mãe de Maomé ou uma prece islâmica.

Uma mãe que estava no shopping com seus dois filhos fingiu-se de morta e garantiu que seus filhos também ficassem quietos para evitar que se tornassem alvo dos terroristas. A imagem circulou o mundo.

Faith Wambua estava no local com a filha de nove anos, Sy, e o filho de Ty, de 1 ano e nove meses, quando o ataque aconteceu. Ela ficou quatro horas e meia fingindo estar morta, até que o policial Iyad Adan os resgatou.

“Nós estávamos procurando o florista quando ouvimos um barulho muito alto: ‘bang’. Eu achei que o prédio estava caindo e que a melhor coisa a fazer era deitar em uma área aberta. Então eu disse às crianças: ‘deitem-se, deitem-se’. Eu achei que se tratava de um roubo e que em seis minutos estaria tudo resolvido. Mas o tempo passou e ninguém apareceu para dizer ‘ok, podem levantar, eles se foram’. Minha filha começou a orar alto dizendo: ‘Jeová, jeová, por favor, nos proteja’. Eu lhe pedi que abaixasse o volume por medo que ela denunciasse nossa localização. Eu não sabia o que estava acontecendo, só tinha certeza de que tinha de manter as crianças quietas. Estava preocupada com meu filho porque ele estava havia horas sem comer e temia que levantasse e começasse a chorar. Então coloquei meu dedo em sua boca para confortá-lo”, relatou a mãe.

Faith, que significa fé em português, afirmou em entrevista à BBC que foi um milagre ter saído viva: “Num dado momento, os atiradores chegaram muito perto. Eu podia sentir o cheiro de pólvora e ouvir os cartuchos de balas caindo no chão. Sabia que a gente ia morrer. Então comecei a cantar baixinho uma música sobre ressurreição. Eles então se aproximaram de uma mulher que estava deitada a cerca de dois metros de nós. E chamaram: ‘mama, mama’. Não sabia se estavam falando comigo ou com ela, mas sabia que não podia levantar a cabeça. A mulher então respondeu e, menos de cinco segundos depois, ouvi dois tiros e a mulher se calou. Ela começou a gemer: ‘Eu estou morrendo, estou morrendo’. Eu não podia fazer nada, e sabia que seríamos os próximos. Foi quando um milagre aconteceu. Não sei como não nos viram, estávamos tão perto dela”, afirmou.

A mulher afirmou ainda que por medo de ser morta pelos terroristas, continuou se fingindo de morta quando o policial chegou para efetuar o resgate: “Um tempo depois senti alguém tocando na minha mão e pensei: Meu Deus, eles nos acharam. A pessoa então disse: ‘Mama, mama, mama, você está bem?’ Nesta hora eu realmente me fingi de morta. Ele perguntou de novo e eu não disse nada. Ele começou a se mover e se posicionou à nossa frente. Ele encostou no meu filho e depois na minha filha e ela decidiu confiar nele. Ela levantou a cabeça e perguntou: ‘Quem é você?’ Ele então respondeu: ‘Eu sou um policial’. Neste hora eu levantei minha cabeça e olhei para ele. No início estava cética porque ele estava vestindo um paletó, mas depois me mostrou seu uniforme. Ele disse: ‘Estou aqui para ajudar vocês’. E minha filha disse: ‘Como eu posso saber que você não é um dos moços ruins’? Ele então nos mostrou policiais posicionados nos andares de cima apontando para várias direções. Ele então nos pediu para levantar. Ele foi muito gentil e até me lembrou de pegar minhas chaves. Pegou meu filho no colo e minha filha saiu andando na frente. E foi assim que a gente conseguiu escapar”, resumiu, aliviada.

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